PERIGO E OPORTUNIDADE

06-06-2010 19:00

A sociedade hoje se encontra embrutecida, rígida, homogênea. O indivíduo não olha nem para si mesmo, quanto mais para o outro. E o tempo é sempre o culpado. Estamos tão absorvidos em atividades externas que perdemos de vista o que realmente importa. O problema não é o tempo mas o que é feito dele. O problema é a inversão de valores que nos fazem crer que vale mais parecer do que ser, que o que possuímos está intrinsecamente ligado ao que somos. Que é mais importante mostrar resultados do que se entregar ao seu processo interno – com a mente no destino final e o corpo inerte, destituído do próximo passo.

 

A vida passa tão rápido que não conseguimos conectar o antes com o depois. E na luta para interromper o fluxo natural das coisas, logo extravasamos com um grito. Na tentativa de nos apegarmos a pontos fixos de referência, somos arrastados pelo movimento que é mais forte do que nosso desejo de segurança. E nessa ânsia de se agarrar à certezas, não percebemos que os apegos só geram mais medo, mais insegurança. Não percebemos que somos automatas e reativos. Sem capacidade de nos deslumbrarmos. Prisioneiros do tédio. Vítimas de vícios emocionais, vícios comportamentais, vícios materiais. Vítimas da ignorância ou do conformismo. Vítimas porque perdemos o senso de auto-responsabilidade.

 

Divididos, perdidos num baile de máscaras, num jogo de interesses egoístas, numa eterna competição. Porque não há muito espaço para a cooperação. A teoria da relatividade revolucionou o mundo à nível intelectual, mas na prática a maioria não entende a beleza existente na unicidade de cada olhar. Porque cada olhar completa o universo, cada ser tem seu espaço e sua função. Todos são importantes para manter a roda da vida girando.

 

O perigo da “história única”, do reducionismo. De pensar que entendemos tudo o que há para ser entendido, quando não compreendemos nem nossa própria realidade. O que há, então, para ser compreendido sobre a natureza alheia, se “nunca podemos falar da natureza sem, ao mesmo tempo, falarmos sobre nós mesmos”? Limitamos nossa existência à algumas peças. Enfatizamos mais o ato de falar do que o de ouvir. Valorizamos mais o pensamento racional do que o pensamento intuitivo. Acreditamos na ciência e naquilo que pode ser provado, descartando todo um leque de possibilidades. E separados por muros, damos mais importância à nós mesmos que ao próximo. Egos imaturos competindo por espaço. Egos com necessidade de auto-afirmação. Egos que temem sua dissolução. E, então, surge a ameaça seguida pela reação violenta. Porque não há tempo para dúvidas, o perigo é iminente e requer uma resposta imediata. Não há complementariedade, apenas opostos lutando para prevalecer, dominar, subjugar.

 

Mas a vida não é uma competição. É um processo de cura, de libertação. Libertação dos automatismos, libertação dos desejos, libertação da matéria. O sentido da vida é a evolução. A única certeza científica do universo é o movimento. Basta observar os ciclos. Tudo é passageiro. A gente nunca entra no mesmo rio duas vezes. Entender a efemeridade de tudo nos ajuda a se libertar de padrões rígidos, a nos libertar dos apegos e aversões da mente. É preciso sintonizar com os diferentes fluxos de energia da natureza, se movimentar harmoniosamente. Buscar um senso de complementariedade e unidade. A partir do momento que criamos o belo, nasce espontaneamente o feio. A vida é composta por pares de opostos que se alternam indefinidamente. Entender isso é aceitar e fluir. Não há esforço envolvido, todo o peso de viver é abandonado e nosso ser é elevado pela graça de existir, de simplesmente ser parte.

 

Não é tão fácil perceber, mas a verdadeira batalha acontece em nossos corações, não lá fora. Existe uma fonte inesgotável de felicidade, bem-aventurança e amor dentro de nós, basta acessar. Sem nos conectarmos com a fonte, sem reservas, o que podemos doar? Existe uma carência eterna, um sentimento de incompletude dentro de cada um de nós. E somos tentados a suprir essa carência com relacionamentos possessivos, bens descartáveis, e intensidade o suficiente para nos jogar de um extremo ao outro sem que possamos respirar. E então o bloqueio. A ilusão de Maya nos fez perder o chão, portanto em que terreno de saber perene fincaremos nossas raízes?

 

Einstein já dizia, mais importante que o conhecimento, é a imaginação. Hoje todos têm uma opinião a respeito de tudo e já não há mais espaço para soluções criativas. Somos anestesiados desde o útero, condicionados a não questionar e bombardeados com tanta informação que não precisamos viver, experimentar nem pensar por nós mesmos. Está tudo padronizado, repleto de julgamentos e condenações. Mas essa é justamente a indicação de declínio. "Quando estruturas sociais e padrões comportamentais tornam-se tão rígidos que a sociedade não pode mais adaptar-se a situações cambiantes, ela é incapaz de levar avante o processo criativo de evolução cultural. Entra em colapso e, finalmente, desintegra-se. Enquanto as civilizações em crescimento exibem uma variedade e uma versatilidade sem limites, as que estão em processo de desintegração mostram uniformidade e ausência de inventividade". Vivemos um período de transição, crise – que em chinês significa perigo e oportunidade. O ideal materialista, junto com o patriarcado e o uso de combustíveis fósseis que sustentaram a era industrial, já não são. A visão mecanicista, que pensa ser o todo composto de diversas partes, já não é. A era científica, em que predomina o pensamento racional, já não é. A religião como instituição, já não é.

 

Abram alas para o pensamento sistêmico. Mais importante que o indivíduo, é sua relação com o todo. Desde uma partícula subatômica até os grandes astros do universo, tudo é interdependente. Pense nisso antes de se tornar cego e surdo para as necessidades do outro, antes de se ater apenas a uma visão de mundo. Chega de tanta informação inútil, é hora de se dedicar mais ao único conhecimento que liberta: o auto-conhecimento.

 

                  

 

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